A técnica de diluição é muito útil quando se deseja saber quantas unidades formadoras de colônias (ufc) existem em uma suspensão bacteriana. Esta técnica pode ser aplicada quando se quer determinar, por exemplo, a população bacteriana ao longo do tempo, ou ufc de uma bactéria fitopatogênica presente em um extrato obtido de uma amostra de sementes.
    A metodologia consiste na diluição progressiva da suspensão bacteriana, tomando-se uma pequena alíquota de uma suspensão mais concentrada, de onde se faz a transferência desta para uma solução salina esterilizada, com volume previamente determinado (Figura 1). De cada diluição, procede-se imediatamente o semeio através do espalhamento de um pequeno volume do extrato em meio de cultura, utilizando uma alça de Drigalski, com posterior incubação (normalmente de 25 a 28 oC / 24 horas), quando então verificam-se as placas que tiveram suas colônias crescidas separadamente, de forma a permitir a sua quantificação.

Esquema gráfico da diluição seriada

Observação de colônias após diluição seriada

Procedimento para realização da diluição seriada

Cálculos para quantificação:

    Se em 0,1 ml (volume semeado) da diluição 1:100.000 eu contei 30 colônias bacterianas, entende-se que em 1 ml (volume total no tubo de ensaio) da suspensão a 1:100.000, eu tinha 300 ufc

0,1 ml
1 ml
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 30 colônias
x colônias
Total= 300 ufc

    Como estas 300 ufc foram provenientes de 0,1 ml do tubo com diluição 1:10.000, nos 1 ml do tubo com diluição 1:10.000, eu tinha uma população bacteriana 10 vezes maior que no tubo com diluição 1:100.000.

Logo:
300 ufc
x
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0,1 ml do tubo a 1:10.000
1 ml do tubo a 1:10.000
Total= 3.000 ufc

    Verifica-se então, que a medida em que se calcula o número total de ufc para cada concentração anterior, multiplica-se o valor pelo número de vezes em que a população foi reduzida, a cada intervalo da diluição seriada.

    Neste caso a cada diluição a população foi reduzida em 10 vezes.
    Então, para não perdermos tempo, podemos obter diretamente quantas ufc nós tínhamos no tubo da primeira diluição. Fazemos os cálculos da seguinte maneira!
    Como a suspensão quantificada (com concentração 1:100.000 ou 10-5) tinha 300 ufc em seus 1 ml, a suspensão 1:10 tinha uma população 104 vezes maior.

300 ufc
x
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10-5
10-1
Total contido no tubo com diluição 1:10= 3 x 106 ufc

    Como os 3 x 106 ufc contidos no tubo com diluição 1:10 foram provenientes de 0,1 ml da suspensão original, para cada 1 ml da suspensão original eu tinha 3 x 107 ufc/ml.


    Para se verificar se durante o processo não houve nenhum erro, deve-se observar uma relação entre o número de colônias obtidas entre diluições sucessivas. Por exemplo, em uma diluição com intervalo de 1:10, a diferença entre o número de colônias obtidas na placa correspondente a diluição 1:10.000 e a placa 1:100.000, deverá estar próxima a 10 vezes. Portanto, se foram observadas 300 colônias na diluição 1:10.000, deve-se esperar obter, aproximadamente, 30 colônias na diluição 1:100.000.
    Normalmente a principal causa de erro é o esquecimento da troca de pipetas ou ponteiras (no caso de pipetas automáticas), a medida em que se procede a diluição seriada. Portanto nunca se deve esquecer de usar uma para cada diluição.

    Uma fórmula que pode ser aplicada para se calcular rapidamente o número de unidades formadoras de colônias/ml, no caso apresentado na Figura 1, é a seguinte:
 
No de colônias observadas x denominador da diluição correspondente x 10

  Segue-se um exemplo:

    Se na placa correspondente a diluição 1:100.000 (10-5) você obteve 30 colônias, logo o número de colônias observadas foi de 30 e o denominador da diluição correspondente foi de 100.000.

    Como você fez uma diluição com intervalo de 10 vezes entre duas diluições (0,1 ml da suspensão bacteriana + 0,9 ml de solução salina), seu intervalo entre diluições é igual a 10.

Ao aplicar na fórmula, obtém-se o seguinte cálculo:

30 x 100.000 x 10= 30.000.000= 3 x 107 ufc/ml

Portanto na sua solução bacteriana original você tem 3 x 107 unidades formadoras de colônias/ml.

Mas atenção!

  Para outros volumes utilizados no processo, o método de cálculo deverá ser feito seguindo o raciocínio apresentado anteriormente, e não pela fórmula!

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